Campanha Primeira Dose Imediata

O tratamento começa na Unidade de Saúde e continua em casa!

Uma criança com infecção respiratória aguda, medicada com antibiótico, deve receber a primeira dose do remédio na própria Unidade Básica de Saúde (UBS), conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde (Nota Técnica).  A Pastoral da Criança apresentou a proposta de iniciar uma campanha sobre a primeira dose do antibiotico  no Congresso de Secretarias Municipais de Saúde, em Gramado, RS, no dia 28 de maio de 2010. 

Caso uma criança não receba o tratamento certo e a tempo, pode necessitar internamento hospitalar ou mesmo morrer. Segundo dados de 2009 do Ministério da Saúde, no Brasil  do total de 43.638 mortes de crianças menores de 1 ano,  3,5% (1.567) foram por Pneumonia, e do total de 7.488 mortes de crianças entre 1 e 4 anos, 10,5% (786) foram por pneumonia. Percentualmente a morte de pneumonia é maior na faixa etária de 1 a 4 anos, mas em numeros absolutos morre o dobro de crianças menores de um ano. A Pneumonia foi a causa de 354.292 internamentos de crianças nestas duas faixas etárias no ano de 2009. (MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM, situação da base de dados nacional em 14/12/2009)

A prevenção inclui o aleitamento materno, alimentação e fortalecimento do sistema imunológico, a qualidade do ar dentro de casa e imunização. Por isso, quando a criança apresenta algum sinal de infecção respiratória, a mãe deve:
  • Levar a criança ao serviço de saúde o mais rápido possível;
  • Continuar a amamentar;
  • exigir os medicamentos e a primeira dose na Unidade Básica de Saúde e assumir o compromisso de continuar o tratamento em casa, nos horários e pelo tempo recomendado pelo profissional de saúde;
  • Voltar ao serviço de saúde no dia marcado ou a qualquer momento se o bebê não apresentar melhora ou piorar.

Disponibilidade de medicamentos como parte do atendimento adequado no posto de saúde

Para que cada Unidade Básica de Saúde (UBS) consiga reduzir a gravidade das doenças e o número de óbitos infantis é necessário que:

  • tenha trabalhadores da saúde habilitados no manejo adequado das doenças;
  • disponha de acesso a exames básicos e medicamentos para as doenças mais comuns, especialmente as que mais causam a morte das pessoas e que a primeira dose destes medicamentos seja dada à criança ainda no serviço de saúde;
  • a comunidade busque o serviço de saúde a tempo.

Os pontos acima evoluíram muito nos últimos anos no Brasil, além disso:

  • a Pastoral da Criança orienta as mães sobre os sinais de risco o que possibilita as crianças com problemas de saúde mais graves chegarem mais cedo aos Serviços de Saúde; assim a chance de serem curadas são bem maiores. Por exemplo: uma criança que têm infecção e, por chegar tarde ao serviço de saúde, morre nas primeiras 24 horas de internação provavelmente não seria salva nem mesmo nos melhores hospitais pois os medicamentos demoram para fazer efeito;
  • na Estratégia Saúde da Família (ESF), antigo Programa de Saúde da Família (PSF), os profissionais de saúde têm melhores condições de trabalho;
  • há recursos financeiros para compra de medicamentos básicos em quantidade suficiente em todas as prefeituras.

No entanto, ocorrem muitos óbitos infantis por infecções respiratórias poderiam ser prevenidos por simples alteração de logística: os medicamentos (como os antibióticos) por vezes não estão disponíveis no local e momento certos. E mesmo que estejam, muitas vezes, demora-se para iniciar o tratamento.

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AIDPI - Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, Curso de Capacitação Avaliar e Classificar a Criança de 2 Meses a 5 Anos de idade, Módulo 2, 2.ª edição revista Série F. Comunicação e Educação em Saúde, Brasília – DF, 2003.

Mais informações na pagina 17,  CAPÍTULO 1: Introdução à Estratégia AIDPI - Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, para o Ensino Médico: Manual de Apoio Organização Mundial da Saúde Organização Pan-Americana da Saúde, 2004

Outra publicação, a PORTARIA Nº 1.820, DE 13 DE AGOSTO DE 2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde, orienta para o tratamento no tempo certo, ou seja, no caso do Antibiotico para criança com Pneumonia dever ser logo depois do diagnostico medico, na propria Unidade Basica de Saude.  A Portaria define no  Art. 3º que "Toda pessoa tem direito ao tratamento adequado e no tempo certo para resolver o seu problema de saúde.
Parágrafo único. É direito da pessoa ter atendimento adequado, com qualidade, no tempo certo e com garantia de
continuidade do tratamento, para isso deve ser assegurado:
I - atendimento ágil, com tecnologia apropriada, por equipe multiprofissional capacitada e com condições adequadas de atendimento;" 

Dentre as metas do programa AIDPI, destacamos a detecção precoce e o tratamento eficaz e agil das Infecções Respiratórias e outras doenças da infância. A aplicação da estratégia de AIDPI contribui para melhorar a identificação dos sinais de perigo por parte da família e a busca precoce dos serviços de saúde, com o início do tratamento logo após a consulta.

Em muitos municípios, a mãe recebe o medicamento na Unidade Básicas de Saúde, depois da consulta, e só oferece a primeira dose para criança ao chegar em casa, horas mais tarde, ainda mais se precisar ferver a água e esperar que esfrie antes de diluir o medicamento. Em outras situações precisa buscar os medicamentos da receita em uma Unidade Central de Medicamentos, desperdiçando horas de tratamento que podem significar um internamento hospitalar e, o que é pior, uma morte evitável.

O remédio só faz efeito depois que se toma!

A Pastoral da Criança propõe que todas as dificuldades sejam superadas para que exista o acesso à primeira dose do antibiótico no momento em que é receitado na Unidades Básicas de Saúde, em especial nos casos de tratamento de Infecções Respiratórias em crianças.

Clóvis Boufleur
Gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança

Pastoral da Criança
Rua Jacarezinho, 1691 - 80810-900 Curitiba - PR - Brasil
Fone: 55 (41) 2105-0250 - FAX: 55 (41) 2105-0299

www.pastoraldacrianca.org.br – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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